Trabalho Raro ou Trabalho Raso – 4 (quarto de/5)

22/01/2018

 

Uma nova economia recompensará os resultados alcançados e não o tempo gasto. A moeda é o trabalho RARO e valioso. E isso não é fruto das máquinas e sim da capacidade criativa do ser humano.

O trabalho profundo é uma ferramenta que você precisa para construir e produzir coisas como um artesão. Pense no tempo dedicado por Michelangelo, pintor, arquiteto, poeta e escultor, na sua produção da Capela Sistina, que foi um dos marcos do Renascimento, suas figuras são o símbolo supremo da perfeição dos corpos fortes, belos e majestosos. Ou como um carpinteiro mestre usa a arte e a habilidade para criar móveis dignos de serem exibidos em um museu.

Pense em como Olavo Bilac gerou o seu poema “A um poeta”. “Longe do estéril turbilhão da rua, / Beneditino escreve! No aconchego / Do claustro, na paciência e no sossego, / Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua! / Mas que na forma se disfarce o emprego / Do esforço: e trama viva se construa / De tal modo, que a imagem fique nua / Rica mas sóbria, como um templo grego / Não se mostre na fábrica o suplicio / Do mestre. E natural, o efeito agrade / Sem lembrar os andaimes do edifício: / Porque a Beleza, gêmea da Verdade / Arte pura, inimiga do artifício, / É a força e a graça na simplicidade.” (1-14).

Há uma gigantesca vantagem competitiva por conta da habilidade de se concentrar e produzir algo RARO e precioso na era da informação. Pode ser em qualquer profissão, dos acadêmicos aos programadores de computadores, dos cirurgiões aos designers visuais, o que importa é a atenção focada.

Se você consegue escrever um artigo elegante, produzir um diagnóstico preciso, ser um terapeuta que transcende o trivial para o transpessoal, ser um administrador da saúde relacional, ser arquiteto da natureza ecológica, ser um redator da vida, os seus resultados são RAROS e valiosíssimos, por consequência, as pessoas chegarão até você, independentemente de quantos seguidores no Instagram consiga ter.

Assim direis ou como Olavo Bilac “esculpiu” o seu “Ora (direis) ouvir estrelas”: “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo / Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto / Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto / E abro as janelas, pálido de espanto… / E conversamos toda a noite, enquanto / A via láctea, como um pálio aberto, / Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, / Inda as procuro pelo céu deserto. / Direis agora: “Tresloucado amigo! / Que conversas com elas? Que sentido / Tem o que dizem, quando estão contigo?” / E eu vos direi: “Amai para entendê-las! / Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas.” (1-14). Pense nisso, mas pense agora!


Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional, e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ouwww.seubolso.com.br.

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