O Carnaval e a Ética

04/03/2019

 

 

 

  

Todos os anos o carnaval custa aos brasileiros perto de R$ 100 milhões. Esse valor advém dos projetos aprovados pela Lei Rouanet para as escolas de samba. Isso significa que eu e você, caro leitor, estamos sambando na Marquês de Sapucaí, pois são recursos do imposto de renda pago por nós.

 

Não é preciso ser analista cultural, tampouco temos tal pretensão, para emitir opinião sobre as prioridades e importância deste ou daquele projeto, apesar de saber que existem na cultura nacional muitas opções de valor inestimável que merecem a atenção especial dos responsáveis.

 

Também não pretendemos opinar sobre o valor da mulher, que no carnaval é vandalizado nas comercializações imposta pela mídia sedenta de lucros ao mostrar as nádegas, os seios, e outras partes do corpo feminino, banalizando o pudor.

 

Vamos tratar da ética e o carnaval. Dado que nesse campo podemos conversar à vontade sem sermos tachados de radicais ou negativistas. Afinal, a ética está acima dos ângulos dos pensamentos e dos desejos humanos, temporais. Ela submeteu-nos às leis sábias do universo, e seus princípios, onde tudo se encadeia e responde às nossas ações com os resultados correspondentes.

 

É a ética que nos faz refletir sobre o que é considerado adequado e moralmente correto na conduta humana. Na verdade, sabemos que o aprofundamento da sociedade nos interesses materialistas inibe o senso moral, moldando inadvertidamente o caráter, os sentimentos e os costumes, pela perda da lucidez.

 

Então vale aprofundar as reflexões: "Os fins justificam os meios?"; "O que importa é o capital?"; "Tudo é relativo e temporal?". Afinal, o que temos nós com a ética? Será que vale a pena por dois dias de desfiles, com alguns empregos a mais, sabotar o direito dos excluídos das oportunidades que o “canicapitalismo” - termo que cunhei para o "canibalismo do capitalismo ganancioso" - gera?

 

Os R$ 100 milhões podem alimentar mais de mil famílias de miseráveis por vinte e cinco anos ininterruptos. Constroem mais de sete mil moradias populares. Também possibilitam educar muitas crianças por vários anos.

 

Ao final do carnaval, na quarta-feira de cinzas, começa o período conhecido como quaresma, que vai culminar no Domingo de Ramos, e na semana seguinte, a Páscoa. Nesse período, os cidadãos são chamados à penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração. Por que só nesse período?

 

Longe de querer, com esse artigo, jogar uma crítica fortuita e deixar todo mundo com o gosto amargo de quem não faz nada. A reflexão é a favor, a favor de lembrar que enquanto houver um só ser humano passando fome, nossa felicidade é relativa, e deve pesar na balança de nossas ações o que é ou não prioritário.

 

Nossa sociedade precisa repensar seus valores senão será assaltada por bandidos paridos por ela mesma.

 

A ética é perceber que cada cidadão que nasce no mundo tem o direito à vida e a viver com dignidade. Portanto, podemos contribuir, educando nossos filhos para que eles, quando vierem a ocupar cargos públicos, tomem decisões que dignifiquem nossas consciências e atos. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Carvalho é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulocarvalho@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br.

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