O Consignado Papão

08/04/2019

 

 

 

 

 

Efigênia é uma heroína anônima. É a típica mulher brasileira que hoje é a provedora da casa, que aposentou e ainda trabalha. O marido teve problemas com depressão e já faz mais de quinze anos que não colabora nem ajuda no sustento da família. Dois filhos: um rapagão que não consegue parar no emprego e vive de bicos; e a filha já lhe deu dois netos, sem marido.

 

Disse-me que quando os filhos estavam ainda pequenos, ela saía cedo para trabalhar e ficava extremamente preocupada. Precisava evitar que fossem para a marginalidade e os vícios, tão comuns na periferia da cidade. Então arrumava atividades que tomavam todo o tempo deles, dava trabalho, assim não tinham como sair para encontrar a turma. E hoje, apesar de desempregados, não usam bebidas alcoólicas e nem drogas.

 

Como os rendimentos de Efigênia não cobrem todo o orçamento, ela entrou para o clube dos usuários do empréstimo consignado. Agora além das despesas normais para sustentação do lar, ela tem todo mês a prestação que já vem descontada na folha.

 

Assim é que ela mantém sob suas "asas" a família. É o modelo de estrutura familiar que se sustenta pela falta de estímulos. Seus filhos não têm o desejo de evoluir, não sabem o que é isso, pois não lhes foi ensinado. Então "colam" na mãe provedora. Marido e filhos não vivem, sobrevivem, e ela vive em ansiedade para pagar o tal do empréstimo consignado.

 

Esse empréstimo chegou como um benefício. Mas é uma falácia, é uma facilidade para se tomar dinheiro emprestado. Para cobrir outras contas e comprar o que não se poderá pagar depois. Trocam-se as dívidas, as quais se pode ganhar prazo com o credor, por outra que já saca do salário antes de receber.

 

Acrescente ainda que toda a “parentalha” aproveita-se também do consignado papão, e não o repõem.

 

Os juros que dizem ser baixinhos dobram a dívida em pouco tempo. Quem ganha: os credores, os lobistas, os "bonzinhos" do Brasil. Este vício vem trazendo transtornos para as famílias das classes menos favorecidas.

 

Elas precisam da educação financeira, a instrução transformadora. Ajudando-as a tomarem decisões acertadas. Essa é uma sugestão aos novos governantes. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Carvalho é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulocarvalho@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br.

Compartilhar
Retweet
Please reload

65 3624-3060

  • 001-instagram
  • 002-twitter-logo-button
  • 003-facebook-logo-button
Please reload

Arquivo

Ouvindo a Voz da Empresa 5/5

04/12/2017

1/5
Please reload

Posts Em Destaque
Procurar por tags
Posts Recentes

30/12/2019