A Maça Verde

17/06/2019

 

 

 

  

   

Num dia frio de 1942, em um campo de concentração nazista, um menino solitário olha para além do arame farpado e vê uma menina que passa. Ela comove-se com a presença dele. Sentem-se envolvidos ternamente. Ela joga uma maçã por cima da cerca, ele apanha. A cena é repetida por alguns dias, com troca de palavras. Enamoram-se. Mas um dia o menino disse: - Amanhã não me traga mais maçãs, estão me mandando para outro campo.

 

Quinze anos depois no EUA, dois adultos, vão a um encontro marcado para eles por amigos. A mulher pergunta: - O que você se lembra da guerra? Ele responde: - Dos campos de concentração. E ela: - Eu me recordo de jogar maçãs por cima da cerca para um menino. Ele: - E esse menino um dia disse para você não trazer mais maçãs porque ele estava sendo mandado para outro campo? Ela: - sim, como você sabe? Ele: - O menino sou eu. Quer casar comigo?

 

No Dia dos Namorados em 1996, no programa de Oprah Winfrey eles comemoravam quarenta anos de casados.

 

Era uma segunda-feira e lá estávamos, eu e minha esposa, com Dra. Vânia no supermercado. Íamos aprender como fazer compras de produtos para as nossas novas receitas alimentares. A nutricionista nos ensinava como e o quê comprar.

 

Tudo começou quando nós decidimos que deveríamos buscar a consultoria de uma especialista para melhorar nossos hábitos alimentares. Ela mudou radicalmente os alimentos consumidos e a forma de prepará-los.

 

Mas naquele dia algo me chamou a atenção por ser bem diferente do que eu estava acostumado, Dra. Vânia pegou uma maçã verde, somente uma. Eu já ia pegar mais, quando ela disse: - Esta semana você somente vai usar uma, não precisa levar mais. Passei o resto do dia lembrando-me disso, não saia de minha cabeça: só vou usar uma porque levar mais?

 

Isso mudou todo nosso conceito de compras, tanto no supermercado como de outras coisas. Passamos a levar para casa somente o necessário para aquilo que o objeto se propõe, bem como pelo tempo que definimos como o ideal para o seu uso. O resultado foi, além de gastarmos menos, ficou mais fácil para escolher, por exemplo, uma camisa. Outra vantagem é que quando já enjoamos de usar uma calça, juntamos algumas doamos e compramos outras novinhas.

 

Não são somente alimentos que jogamos fora por comprar mais que precisamos. Se começarmos a fazer um passeio pela nossa casa vamos ver muita coisa sem utilidade, obsoleta. Algumas usamos poucas vezes. Outras não gostamos mais, outras compramos por impulso.

 

Escrevendo este artigo, fui buscar um objeto na minha escrivaninha. Nas gavetas que procurava, envolvido pela lembrança da maçã verde, fui juntando outros objetos, papéis, chaveiros, um montão de coisas que encheu uma sacola. Todos obsoletos foram parar no lixo.

 

Sábio é aquele que utiliza o que a natureza oferece com equilíbrio. Sabe o verdadeiro valor das coisas e tanto quanto o casal de nossa história real, oferece o tributo ao sentimento do amor. Todos nós podemos contar quantas sementes têm uma maçã, mas não conseguimos contar quantas maçãs contém uma semente. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulocarvalho@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br.

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