A Força da Suavidade

15/07/2019

 

 

 

 

  

   

Em uma aldeia, um rapaz e uma moça se apaixonaram e se casaram. Por algum tempo foram felizes, mas logo, começaram a ver os erros um do outro nas pequenas coisas – ele a acusava de gastar muito no mercado, ela dele estar sempre atrasado.

 

Depois de alguns meses, ela achou que não aguentava mais aquilo e procurou um sábio e velho juiz para pedir o divórcio. - Por quê? – perguntou ele. – Não ama o seu marido? - Sim, nós nos amamos, mas as coisas não vão nada bem, brigamos muito. Ele faz coisas que me irritam. Deixa roupas espalhadas pela casa toda, corta as unhas na sala e deixa pelo chão, chega tarde em casa. Sempre que eu quero fazer alguma coisa, ele quer fazer outra. Não podemos viver juntos.

 

- Entendo – disse o velho juiz. – talvez eu possa ajudá-los. Conheço um remédio mágico que vai fazer vocês se darem muito melhor. Se eu lhe der esse remédio, vai parar de pensar em divórcio? - Claro! Clamou ela. – Qual é o remédio? Faça-o para mim! - Calma – disse o juiz. – Para fazer o remédio preciso de um fio da cauda de um grande leão que vive perto do rio. Você deve trazer esse fio para mim. - Mas como vou conseguir isso? – O leão vai me matar. - Nisso não posso ajudar, entendo muito de remédios, mas não entendo nada de leões. Você tem que descobrir um meio. Vai tentar?

 

A jovem esposa refletiu longamente. Amava muito o marido, e o remédio ia salvar seu casamento. Resolveu buscar o pelo do leão. Na manhã seguinte, foi ao rio e se escondeu atrás de uma pedra. Pouco tempo depois, o leão veio beber água. Quando viu as patas enormes, ela ficou tremendo de medo. O leão abriu a boca, mostrando os dentes afiados, ela quase desmaiou. Então o leão deu um rugido e ela saiu correndo para casa. Mas na manhã seguinte ela voltou ao rio, trazendo um saco de carne fresca. Deixou a carne no capim da margem, a duzentos metros e ficou escondida atrás da pedra enquanto ele comia.

 

No dia seguinte, voltou e pôs o pedaço de carne a cem metros do leão, no outro dia, pôs a carne a cinquenta metros do leão e não se escondeu enquanto ele comia. Assim, cada dia chegava mais perto do leão, até que um dia chegou tão perto que pôde atirar-lhe a carne na boca. No outro dia o leão veio comer em sua mão. Tremia ao ver os dentes enormes rasgando a carne, mas tinha mais amor ao marido do que medo do leão. Muito lentamente, ela abaixou-se e arrancou um fio do pelo da cauda da fera.

 

Voltou correndo ao juiz. - Olhe – gritou ela – trouxe um pelo do leão. O velho pegou o fio e examinou-o atentamente. - Foi muita coragem sua. Precisou de muita paciência, não? – Ah! sim agora me dê o remédio para salvar o meu casamento. O velho juiz abanou a cabeça e disse-lhe – não tenho mais nada a lhe dar. - Mas o senhor prometeu. - Então não vê? Já tem o remédio de que precisa. Você estava decidida a fazer o que fosse preciso, por mais que demorasse, para ter o remédio mágico para seus problemas. Mas mágica não existe. Só existe a sua determinação. Você e seu marido se amam. Se os dois tiverem a paciência, a determinação e a coragem que você demonstrou para trazer o pelo do leão serão muito felizes. E a mulher voltou para casa com novas resoluções.

 

O Mosteiro à margem do Rio Piedra está cercado por uma linda vegetação, verdadeiro oásis nos campos estéreis daquela parte da Espanha. Ali, o pequeno rio transforma-se numa caudalosa corrente e se divide em dezenas de cachoeiras. Quem caminha por aquele lugar escuta a música das águas e encontra, de repente, uma gruta debaixo de uma das quedas d´água. Observando cuidadosamente as pedras gastas pelo tempo, as formas que a natureza cria com paciência, vê-se escrito numa placa os seguintes versos de Rabindranath Tagore: Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. ONDE A DUREZA SÓ FAZ DESTRUIR, A SUAVIDADE CONSEGUE ESCULPIR. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br.

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