O Jardim do Vizinho

28/10/2019

 

 

 

Dois homens seriamente enfermos ocupavam o mesmo quarto de um hospital. A cama de um deles ficava junto à janela. Já o outro doente passava o tempo todo deitado. Eles conversavam durante horas, falavam das esposas, da casa, da família, do trabalho, das férias que haviam tirado, enfim, de tudo.

 

Toda tarde, quando o homem da cama da janela se sentava um pouco para descansar de ficar deitado, ele descrevia ao companheiro de quarto tudo que via do lado de fora da janela. O homem da outra cama aguardava aquele momento com alegria, no qual seu mundo se iluminava com a descrição de todas as atividades e cores do mundo do lado de fora.

 

Da janela avistava-se um parque com um adorável lago. Patos e cisnes brincavam na água, enquanto crianças passeavam em barquinhos. Jovens enamorados andavam de braços dados por alamedas floridas sob a luz das cores de um arco-íris. Antigas e imensas árvores compunham aquela paisagem quase mágica encravada no visual de edifícios da cidade.

 

Enquanto o homem descrevia essas magníficas cenas, seu companheiro fechava os olhos e, do outro lado do quarto, imaginava todo o cenário. Em uma tarde muito quente, o homem da janela descreveu um desfile que via na rua. Embora seu companheiro de quarto não pudesse ouvir a marcha da banda, podia muito bem ver com os olhos da mente os detalhes descritos pelo homem da janela.

 

Dias e semanas se passaram, até que numa manhã a enfermeira chegou trazendo a água do banho e percebeu que o homem da janela morreu serenamente durante o sono. Comovida, chamou os atendentes do hospital para removerem o corpo do quarto.

 

Tão logo pareceu apropriado, o outro homem pediu que o transferissem para a cama perto da janela. A enfermeira, depois de ter certeza que ele estava confortável, deixou-o sozinho, feliz por ter feito a troca.

 

Vagarosamente, e com muita dificuldade, o homem ergueu-se sobre um dos cotovelos para olhar o mundo do lado de fora da janela. Mas quando se ajeitou melhor e já ia se sentar, viu que a janela dava apenas para uma parede. Confuso, o homem perguntou à enfermeira o que poderia ter feito seu antigo companheiro de quarto descrever cenas tão maravilhosas. Ela respondeu: - Talvez ele quisesse justamente encorajá-lo.

 

A gratidão é um sentimento meio, sentimos pela graça de viver, receber e uma vontade grande de compartilhar. Toda vez que doamos algo estamos em profunda gratidão, ação grata. Quem divide os fracassos, divide a tristeza, mas felicidade dividida é felicidade dobrada. Pense nisso, mas pense agora.

 

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br

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