Recipiente e Conteúdo

04/11/2019

 

 

 

Havia um sábio que em seus ensinamentos discorria diariamente a respeito de diversos aspectos da vida moral com muita profundidade. Seguidas vezes os discípulos lhe perguntavam sobre a fonte da qual extraía seu estoque inexaurível de sabedoria. E o guru respondia-lhes que tudo estava escrito em um livro que herdariam depois que ele morresse.

 

No dia seguinte à sua morte os discípulos encontraram o livro. Havia apenas uma página no livro e só uma frase: “Entendam a diferença entre o recipiente e o conteúdo e a fonte da Sabedoria estará à sua disposição”.

 

O funcionário que cumpre as suas metas pode escapar no meio da tarde para se divertir no cinema? Depende do que entendemos como metas. São números alcançados, resultados atingidos ou trata-se da consciência do dever cumprido? Ah, este campo é minado e dá pano para manga...

 

Na agitação diária e na obrigação de vencer a qualquer custo as empresas vivem numa ansiedade de resultados numéricos acima daqueles que trazem saúde emocional e paz de espírito. Tem algumas que ultrapassam os limites e vão além da ética para sobreviver, ou mais ainda, ganhar exacerbadamente.

 

Nesta confusão instalada sobre o que é ser um funcionário eficaz e cumpridor de seus deveres encontramos uma árdua tarefa de definir o que é legal e o que é ilegal. Tem muitas situações que são legais, mas não são morais. E outras ainda, não são leis, mas são morais.

 

O aumento exagerado de recursos financeiros disponíveis criados pelos vereadores para si mesmo é legal, pois virou lei, mas é imoral. Já liberar um colaborador no meio do expediente para cuidar de um parente de grau distante, mas que mora junto e depende dele não é liberado pelas leis trabalhistas, porém certamente de moral elevada.

 

Por outro lado, o número de colaboradores que se permitem perder tempo com excesso de distrações é imenso, nas mídias sociais, prática conhecida como "cyberslacking" ("cybervadiagem em português claro"), dizendo que vão visitar clientes, mas gazeteam o tempo. Perde-se tempo medido e mental, pois o sentimento de culpa instala-se trazendo transtornos imediatos.

 

Pesquisa com 10 mil executivos brasileiros apresenta números impressionantes. São cinco horas a menos por semana, em trinta anos são dois anos a menos de trabalho, ou seja em torno de R$ 500 mil de prejuízos.

 

Será melhor fazer acordos para permitir vida após trabalho e trabalho com eficácia. Para as mulheres que tem jornadas quadruplas, profissão, esposa, mãe e dona de casa e ainda precisam estar bem arrumadas na segunda-feira cedo, como conciliar? Como ir ao salão no meio da algazarra dos filhotes “doidos” por um tempinho junto dela?

 

Deixemos de querer controlar os funcionários em uma camisa de força. Permitamos que eles sejam pontuais, persistentes, compromissados, mas, cuidemos também de liberá-los para estarem presente de corpo e alma quando no trabalho, sem as preocupações de tantas situações pessoais por resolver.

 

Vamos buscar a diferença entre recipiente e o conteúdo, entre o tempo concentrado e o tempo disperso, entre estar ocupados e sermos produtivos e assim, saberemos onde e quando chegaremos e qual é nosso verdadeiro objetivo existencial. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br.

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