Quanto Você Vale?

02/12/2019

 

 

 

Um dia, um jovem rapaz, desanimado com a vida e com as pessoas, procurou um filósofo para ajudá-lo e disse: - Venho aqui, professor, porque me sinto inútil, não tenho ânimo. Dizem que não sirvo para nada, que não faço tarefas bem-feitas, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?

 

O professor, sem olhá-lo, disse: - Sinto muito, meu jovem, mas não posso ajudá-lo, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois. E fazendo uma pausa, falou: - Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e, depois, talvez possa ajudá-lo.

 

-Claro, professor, - gaguejou o jovem - que se sentiu mais uma vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor. O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao jovem e disse: - Monte em meu cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma divida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.

 

O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até o momento em que o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saíam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar aquele anel. Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

 

Depois de oferecer a joia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou. Entrou na casa e disse: - Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas acho que não se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

 

- Importante o que disse, meu jovem, - contestou sorridente o mestre. - Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vendê-lo e pergunte quanto ele lhe dá. Mas não importa o quanto lhe ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.

 

O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou-o com uma lupa, pesou-o e disse: - Diga ao seu professor que, se ele quiser vender agora, não posso dar mais do que 58 moedas de ouro pelo anel.

 

O jovem surpreso exclamou: - 58 MOEDAS DE OURO! - Sim, - replicou o joalheiro, - eu sei que, com o tempo, poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas... se a venda é urgente...

 

O jovem correu emocionado de volta para contar o ocorrido. O professor, depois de ouvir tudo o que o jovem lhe contou, disse: - Você é como esse anel, meu rapaz; uma joia valiosa e única e que só pode ser avaliada por pessoas que saibam reconhecer o valor de outras pessoas.

 

E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo. - Todos somos como esta joia, valiosos e especiais e andamos pelos mercados da vida sendo avaliados por pessoas erradas que nos fazem perder a confiança e a crença em nossos próprios talentos.

 

Na vida, alguém pode escolher entre se deixar levar ou conduzir os próprios passos em direção àquilo em que acredita. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br.

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