Vencer na vida

30/12/2019

 

 

 

Desde pequenina Estela foi "preparada" pelos pais para "vencer na vida". Além da escola, fazia balé, inglês e, mais tarde, espanhol. Nas brincadeiras e jogos escolares seus pais estavam sempre presentes, na expectativa que ela ganhasse todas.

 

A profissão escolhida foi aquela que prometia mais dinheiro e status. Aos 22 anos já era estagiária de uma grande empresa. Sua meta era chegar ao topo, à diretoria e se possível ser a presidente. Para isso o importante era vencer, ser a primeira.

 

Essa história de que "o importante é competir" não lhe daria os benefícios esperados, precisava vencer na vida. E na empresa tinha de mostrar competência, nem que para isso tivesse de trabalhar 12 horas por dia.

 

Lembrava sempre das gincanas e festivais escolares onde entre um grupo de vinte, só um ganharia. Dezenove perdedores marginalizados pelo reconhecimento do outro, os louros somente para o campeão.

 

No dia que Estela pela primeira vez não venceu, o mundo ruiu. Não nasceu para perder, e foi derrotada. Não entendia a lógica dos perdedores. Os sentimentos de angústia e revolta começaram a fazer-lhe companhia.

 

A competição até então um meio de ser feliz, transformou-se em um meio violento de ver o outro e a si mesma. A tão sonhada vida de vencedor, dos competentes e marcados pelo sucesso, agora era motivo para agredir e atacar.

 

Estela se perdeu nesse jogo da competição. Queria respostas para suas amarguras, mas a lógica do raciocínio não superava os anseios das emoções. Para um ganhar o outro tem de perder.

 

Os defensores do mercado livre não trouxeram soluções para os monopólios e oligopólios que eliminam quem quiser ser igual a eles. Trucidam-se. É por isso que vemos empresas faltarem com a ética e se é para vencer valem até as falcatruas.

 

A livre concorrência capitalista precisa ser repensada. É necessário encontrar alternativas para um novo jeito de viver e de se relacionar.

 

Quem sabe substituir a competição pela cooperação. E para cooperar precisaremos criar nas escolas os jogos onde todos os participantes vencem. Trocar o jogo de tênis, onde um dos jogadores perde, pelo jogo de frescobol, onde os dois ganham, e para jogar bem é preciso entregar a bola "redondinha" para o outro.

 

Deixo um abraço para Estela (pseudônimo) que hoje saiu da empresa que trabalhava, fez outro curso que lhe aprazia, para o qual tinha realmente um dom e vem cooperando com a sociedade, fazendo o que gosta. Pense nisso, mas pense agora!

 

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br

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